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MAGUSTO

05 janeiro, 2015

O Magusto é uma festa popular, as formas de celebração divergem um pouco consoante as tradições regionais. Grupos de amigos e famílias juntam-se à volta de uma fogueira onde se assam as castanhas para comer, bebe-se a jeropiga, água-pé ou vinho novo, fazem-se brincadeiras, as pessoas enfarruscam-se com as cinzas, cantam-se cantigas. O magusto realiza-se em datas festivas: no dia de São Simão, no dia de Todos-os-Santos ou no dia São Martinho. Inúmeras celebrações ocorrem não só por Portugal inteiro mas também na Galiza e nas Astúrias.

Leite de Vasconcelos considerava o magusto como o vestígio dum antigo sacrifício em honra dos mortos e refere que em Barqueiros era tradição preparar, à meia-noite, uma mesa com castanhas para os mortos da família irem comer; ninguém mais tocava nas castanhas porque se dizia que estavam “babada dos defuntos”.

O tema das castanhas está presente na literatura, nomeadamente em Plínio, Virgílio, Camões, Camilo Castelo Branco, Eça de Queiroz, Aquilino Ribeiro, Miguel Torga, Virgílio Ferreira, António Cabral, Vasco Graça Moura, etc.

CASTANHA

A castanha que comemos é, de facto, uma semente que surge no interior de um ouriço (o fruto do castanheiro). Mas, embora seja uma semente como as nozes, tem muito menos gordura e muito mais amido (um hidrato de carbono), o que lhe dá outras possibilidades de uso na alimentação. As castanhas têm mesmo cerca do dobro da percentagem de amido das batatas. São também ricas em vitaminas C e B6 e uma boa fonte potássio.

As castanhas são comidas assadas ou cozidas com erva-doce. Mas, antes de cozinhadas, deve-se retalhar a casca. Como se pode ver no quadro, têm bastante água e, quando são aquecidas, essa água passa a vapor. A pressão do vapor vai aumentando e "empurrando" a casca e, se esta não tiver levado um golpe, a castanha pode explodir.

O amido é uma reserva de energia das plantas e existe, sobretudo, nas raízes e nas sementes. Surge com uma estrutura coesa e organizada, com zonas cristalinas e outras amorfas, chamada grânulo.

Quando cozinhamos alimentos com elevadas percentagens de amido um dos objectivos é torná-los digeríveis. A frio, a estrutura do amido mantém-se inalterada. Mas, quando é aquecido na presença de água (e a castanha contém água na sua constituição), grandes modificações ocorrem. A energia térmica introduzida enfraquece as ligações entre as moléculas do amido, a estrutura granular "relaxa" e alguma água penetra no interior dos grânulos, que incham, formando um complexo gelatinoso com a água. É isto o que acontece quando cozinhamos castanhas e lhes altera a textura.

Existem várias espécies de castanha. Em Bragança as mais comuns são a camarinha, a judia, e a longal ou enxerta.

A castanha tem aplicações na medicina. As folhas, a casca, as flores e o fruto têm sido utilizados devido às suas propriedades curativas e profiláticas, adstringentes, sedativas, tónicas, vitamínicas, remineralizantes e estomáquicas.

Pelo seu valor nutritivo e energético, era utiliza outrora em vários estados de mal-estar e doença. É também tónica, estimulante cerebral e sexual, anti-anémica (castanha crua), anticéptica e revitalizante. Para afinar as cordas vocais e debelar a faringite e a tosse nada melhor do que gargarejos com infusão de folhas de castanheiro ou de ouriços.

A castanha constitui um tema para ditos, lengalengas, canções, quadras e contos populares, sobretudo no Nordeste Transmontano.

As castanhas assadas e descascadas ou peladas tomam o nome de bilhós (bullós em galego).

CASTANHEIROS

30 outubro, 2014






CICLO DA CASTANHA

16 julho, 2010











A CASTANHA

28 junho, 2010

Há muitos anos atrás os nossos antepassados descobriram a castanha.
Supõem-se que a castanha seja oriunda da Ásia Menor, Balcãs e Cáucaso, acompanhando a história da civilização ocidental.
Tal como o pistácio, a castanha constituiu um importante contributo calórico ao homem, principalmente na pré-historia, a castanha foi também adicionada na alimentação dos animais.

O castanheiro manteve-se sempre associado à sobrevivência das populações rurais, no entanto hoje em dia já não serve como fonte directa de alimento mas como uma das principais fontes de rendimentos.
A castanha é um Fruto de forma elíptica alongada, de cor castanha avermelhada, muito brilhante, com estrias escuras longitudinais, que é muito fácil de descascar.
A castanha mais plantada na Terra Fria (zona Norte de Portugal, principalmente no distrito de Bragança), é a Longal, no entanto existe também a Judia, a Cota, a Amerelal, a Lamela, a Aveleira, a Boa Ventura, a Trigueira, a Martaínha e a Negral.
A castanha é utilizada para consumo como acompanhamento de pratos
da cozinha regional.. É ainda utilizada sob a forma de farinha para a preparação de sopa ou de pão. Quando transformada, é utilizada como sobremesa ou guloseima. A
Castanha faz parte integrante dos "magustos" que todas as famílias celebram a partir do Dia de Todos os Santos.
É produzida nos concelhos de alfândega da Fé, Bragança, Chaves, Macedo de Cavaleiros, Mirandela,
Valpaços, Vimioso e Vinhais. A área de produção cobre cerca de 110 000 hectares, A produção anual é de 5 675 toneladas, distribuídas por 6 675 produtores.

Em Alfândega da Fé:
Após uma fase de evidente decréscimo na produção de castanha, que se fez sentir desde os anos 50 do século XX, assiste-se desde o início da década de 90 a um período de evidente ressurgimento da importância da castanha no nordeste transmontano, visível tanto nos maiores níveis de produção atingidos como no aumento da área de souto plantada. A produção da castanha é uma actividade estratégica para o nordeste transmontano, contribuindo para a fixação da população e para o incremento de actividades económicas ligadas ao meio rural.
Pela insuficiência da mão-de-obra familiar (da família do proprietário) e na impossibilidade de entreajuda na época de ponta (a colheita ocorre essencialmente entre o mês de Setembro e Novembro), recorre-se frequentemente a pessoal assalariado, sobretudo mulheres.
A colheita constitui o principal encargo com a produção da castanha, e é no custo da mão-de-obra que se perde uma parte considerável do rendimento obtido, o que leva a que familiares próximos dos agricultores guardem uns dias de férias para a época da colheita (mão de obra gratuita).
A produção de castanha do nordeste transmontano dirige-se quase exclusivamente para exportação, sobretudo para França e Espanha. O período de comercialização concentra-se essencialmente entre os meses de Outubro a Janeiro/Fevereiro.